
O QUE HÁ ENTRE DOIS
Um passo além e já saio do meu mundo
Ganho a avenida onde a chuva chove inutilmente,
Onde os brados bravos dos automóveis
Advertem às gentes da sua onipresença
E as gentes miúdas passeiam caladas
Apesar de coladas na própria existência
Passo ao largo dos becos:
Os ignoro por prudência
Os becos vomitam, seja dia ou noite,
Restos de rostos marcados
E sopram corpos que caem largados
A um passo do espaço que passa o meu pé
Não olho sequer: sofrer dos outros faz mal pra pele
Mas o medo da dor adoece
E pra cada dor que me privo
Uma cor a menos há na incandescência do sol:
O estanho do céu e o chumbo do chão
Ganho a avenida onde a chuva chove inutilmente,
Onde os brados bravos dos automóveis
Advertem às gentes da sua onipresença
E as gentes miúdas passeiam caladas
Apesar de coladas na própria existência
Passo ao largo dos becos:
Os ignoro por prudência
Os becos vomitam, seja dia ou noite,
Restos de rostos marcados
E sopram corpos que caem largados
A um passo do espaço que passa o meu pé
Não olho sequer: sofrer dos outros faz mal pra pele
Mas o medo da dor adoece
E pra cada dor que me privo
Uma cor a menos há na incandescência do sol:
O estanho do céu e o chumbo do chão
Colorem fiéis a cor do dia

Nenhum comentário:
Postar um comentário