O GRITO
O grito varou a madrugada
Rompendo a linha que prende as almas aos seus corpos,
Linha tão tênue a essa altura da noite
A dona, que até então em profundo sono,
Soergueu-se do leito,
Pôs uma roupa menos chã
E desceu corrida as escadas de casa
Curiosa pra ver o grito
O rapaz afogado em álcool e em sono profundo
Despertou de sua semi-morte tonto
E à janela foi às pressas
Procurar o grito
A moça, então, com seu dormir suave – pálpebras palpitantes,
Respiração bem branda a farfalhar -
Ergueu bem brusco da cama, assustada
E mesmo temendo aquele grito horroroso
Não se privou da vontade de vê-lo
Nem o cansaço dos rotos que dormiam tortos
Sob o teto cru do céu noturno
Foi capaz de isolar o grito
Até as ratazanas no submundo de restos
Caçaram o grito na madrugada
Os morcegos - cegos símbolos do medo
Mordiam-se sem norte
Cães berravam roucos dos portões das casas
Gatos se safavam na altura das telhas
O grito trocou por caos a monotonia da noite-dia
Gerou murmúrios que calaram o silêncio da hora
Incitou especulações ao invés de manter inertes os corpos às camas
Criou o terror na madrugada tranqüila,
Ressuscitou os mortos de sono de sua paz inconsciente,
Desesperou o precavido
Preocupou o indiferente
Mesmo que ninguém enxergasse a beleza do grito
O grito varou a madrugada
Rompendo a linha que prende as almas aos seus corpos,
Linha tão tênue a essa altura da noite
A dona, que até então em profundo sono,
Soergueu-se do leito,
Pôs uma roupa menos chã
E desceu corrida as escadas de casa
Curiosa pra ver o grito
O rapaz afogado em álcool e em sono profundo
Despertou de sua semi-morte tonto
E à janela foi às pressas
Procurar o grito
A moça, então, com seu dormir suave – pálpebras palpitantes,
Respiração bem branda a farfalhar -
Ergueu bem brusco da cama, assustada
E mesmo temendo aquele grito horroroso
Não se privou da vontade de vê-lo
Nem o cansaço dos rotos que dormiam tortos
Sob o teto cru do céu noturno
Foi capaz de isolar o grito
Até as ratazanas no submundo de restos
Caçaram o grito na madrugada
Os morcegos - cegos símbolos do medo
Mordiam-se sem norte
Cães berravam roucos dos portões das casas
Gatos se safavam na altura das telhas
O grito trocou por caos a monotonia da noite-dia
Gerou murmúrios que calaram o silêncio da hora
Incitou especulações ao invés de manter inertes os corpos às camas
Criou o terror na madrugada tranqüila,
Ressuscitou os mortos de sono de sua paz inconsciente,
Desesperou o precavido
Preocupou o indiferente
Mesmo que ninguém enxergasse a beleza do grito

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